“Vou assumir essa negritude dentro de mim”

Alunos e professores da FIAM-FAAM Vergueiro participaram, na última quinta-fera, 5/10, de debate com Fábio Nunez, diretor do documentário “Nega Que É Nega Não Nega Ser Nega Não”.

Fábio Nunez, músico e diretor do documentário “Nega Que É Nega Não Nega Ser Nega Não”, comentou, após o debate com alunos da FIAM-FAAM Vergueiro, na última quinta-feira, 5/10, a importância de “inspirar ação nas pessoas”. “Hoje teve uma moça que se reconheceu, através do filme, como negra. Estamos cumprindo a nossa missão, a incumbência que a gente tem nesse plano, na terra de despertar para a realidade”, completou.

A professora Maria Lúcia da Silva, o coordenador do CineB Cidálio Vieira Santos, o diretor Fábio Nunez e a produtora Márcia Lopes.

A moça a que se refere Nunez, é Geici de Oliveira Silva, aluna do terceiro semestre de relações públicas, que durante o debate anunciou que nunca se sentia negra, e o filme a sensibilizou. “Confesso que me sentia sempre parda e depois desse documentário, falei, ‘meu, sou negra’, vou assumir essa negritude dentro de mim”.

Alunos de Jornalismo, Rádio e TV, Audiovisual, Relações Públicas e Publicidade acompanham a abertura da sessão.

A exibição do documentário aconteceu durante a Semana do Audiovisual da faculdade segundo Maria Lúcia da Silva, professora de jornalismo e coordenadora do Núcleo de Estudos Étnico-Raciais (Nera) e Grupo de Estudos de Gênero e Sexualidade da FIAM-FAAM. “Nossa Luta tem sido fazer com que os alunos entendam que hoje a gente tem a oportunidade de revisar a história do negro no país, trabalhando a questão da identidade, da orientação sexual”, explica.

Debate durou mais de uma hora e teve participação dos alunos.

Foi a terceira exibição do documentário “Nega Que é Nega Não Nega Ser Nega Não”, pelo CineB, que é inspirado na música de mesmo nome do próprio Fábio Nunez e Jacson Matos. Ao elaborar um clipe da música, Nunez se deparou com a necessidade de ouvir as vozes do universo negro feminino. Mulheres de todos os segmentos sociais e profissionais, referência para futuras gerações e grandes exemplos de resistência e luta contra os persistentes processos de machismo, racismo e exclusão deram seus depoimentos sobre suas trajetórias de vida, o que pensam e como vêem os processos de exclusão e racismo no Brasil.

Geici: “me sentia sempre parda e depois desse documentário, falei, meu, sou negra”

Além do diretor Nunez e da professora Maria Lucia, participaram do debate o coordenador do CineB, Cidálio Vieira Santos e a produtora Márcia Lopes. A plateia, formada por alunos dos cursos de Jornalismo, Rádio e TV, Audiovisual, Relações Públicas e Publicidade participaram, por mais de uma hora, do debate, com perguntas sobre preconceitos e a vida pessoal e profissional do diretor. Ao final, além das camisetas do CineB, foram sorteados CDs da música de Fábio Nunez e camisetas do filme.

Até a próxima sessão!

O CineB é um circuito itinerante de cinema realizado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e pela Brazucah Produções. Desde 2007, o já atingiu um público superior a 60 mil espectadores em mais de 450 sessões gratuitas realizadas em comunidades de São Paulo. A iniciativa busca democratizar o acesso ao cinema nacional e divulgar os filmes produzidos no Brasil. Foram exibidos na tela do CineB mais de 100 longas-metragens e 69 curtas-metragens, além da realização de pré-estreias exclusivas.

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