Carmen Silva participa de debate na UniSant’Anna

A líder do MSTC – Movimento dos Sem Teto do Centro, Carmen Silva, participou de debate organizado pelo CineB após exibição do filme “Era o Hotel Cambrigde”, no Auditório da UniSant’Anna, na Zona Norte de São Paulo no dia 16/5.

Professores posam para foto no Auditório da UniSant’Anna.

O Centro Universitário Sant’Anna, localizado próximo ao Metro Tietê, na Zona Norte de São Paulo, recebeu pela terceira vez, no dia 16/5, uma sessão do CineB. O filme “Era o Hotel Cambridge”, dirigido pela cineasta Eliane Caffé, foi exibido para alunos de licenciatura dos cursos de História, Geografia, Letras, Pedagogia e Música além dos cursos de Engenharia, Arquitetura e Urbanismo e Comunicação, que lotaram o auditório da universidade.

O longa-metragem aborda a questão das ocupações nos prédios do Centro de São Paulo. Refugiados recém-chegados ao Brasil dividem com um grupo de sem-tetos um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Além da tensão diária que a ameaça de despejo causa, os novos moradores do prédio terão que lidar com seus dramas pessoais e aprender a conviver com pessoas que, apesar de diferentes, enfrentam juntos a vida nas ruas. O filme mescla atores profissionais como José Dumont e Suely Franco com moradores e lideranças da ocupação como Carmen Silva, Isam Ahamadi Issa e Guylain Mukendi. “Era o Hotel Cambridge” foi premiado em diversos festivais de cinema do mundo como o Festival de San Sebatián (Espanha) e Festival de Cinema e Direitos Humanos (Suiça) além da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A diretora Eliane Caffé manda seu recado através de um vídeo gravado exclusivamente para o CineB.

Para Eduardo Nunes, professor da UniSant’Anna e coordenador do curso de História da universidade, o Cine B traz diretores, atores e pessoas envolvidas nos contextos dos filmes. “Para os alunos é uma oportunidade para debater o Brasil, para ter essa interação com a produção dos filmes que sempre têm uma abordagem reflexiva, crítica sobre a sociedade brasileira”, avalia. Nunes lembrou da atualidade do filme após o incêndio que destruiu um prédio no Centro de São Paulo e vitimou quase uma dezena de moradores que lutavam por uma moradia digna. “A escolha do filme para ser exibido na universidade foi antes da ocorrência dessa fatalidade. Um dos assuntos que está em voga agora é a criminalização de movimentos, de lideranças, sem tratar necessariamente do verdadeiro problema que é a ausência de moradia, das políticas de exclusão das populações mais humildes, trabalhadoras, do centro da cidade. Esses imóveis estão vazios há muito tempo, então as ocupações buscam selecionar imóveis que estão ociosos, não estão cumprindo sua função social”, analisa.

A diretora do filme, Eliane Caffé não pode comparecer ao debate porque está em processo de gravação de um novo filme. Mas a cineasta gravou uma mensagem que foi exibida antes do início da sessão. Carmen Silva, líder do MSTC – Movimento dos Sem Teto do Centro, filiado à Frente de Luta Pela Moradia (FLM) que foi uma das atrizes do filme participou de um debate com os alunos ao final da exibição. Ela contou sua trajetória de vida e de luta – foi a liderança que organizou a ocupação no antigo hotel da avenida 9 de Julho, abandonado desde os anos 1980 e que passa, atualmente, por um processo de reforma para virar moradia. “Foi uma vitória daqueles que lutam por moradia”.

Eduardo Nunes, coordenador do curso de História do centro universitário e Cidálio Vieira Santos, coordenador do CineB, na abertura oficial da sessão.

Carmen lembrou que existem mais de 700 mil imóveis desocupados na cidade de São Paulo e cerca de 600 mil pessoas sem moradia “Tem mais casa sem gente do que gente sem casa”. Respondeu perguntas dos estudantes a respeito das práticas dos movimentos de ocupação como a cobrança de mensalidades dos associados. “Não respondo por práticas de outros movimentos, mas lá no Cambridge todos pagam uma taxa mensal porque constituímos uma associação que precisa de contador, advogado, pagamos impostos. É como em um condomínio, em que todos pagam para fazer melhorias na ocupação. Mas tudo é controlado coletivamente”, explica.

Carmen Silva, atriz e liderança do movimento de moradia do centro, no debate com os alunos.

Carmen elogiou a iniciativa do CineB de levar o cinema brasileiro para as escolas, as periferias. “Eu costumo dizer que a cultura é a única que une todas as classes sociais e esse projeto do CineB é uma prova de que não há fronteiras para os movimentos populares, que vão a locais que o próprio governo não se atenta para as necessidades”, destaca.

Alunos e professores elogiaram a iniciativa. Felipe Almeida dos Santos, professor de geografia, comentou que o projeto aproxima uma temática fundamental que é a da arte e das expressões tanto artísticas quanto política do espaço universitário. “É um espaço de formação cultural, entretenimento e debates políticos sobre a realidade”. Alisson Melo Galindo, aluno de engenharia aeronáutica, conta que conhece Carmen pessoalmente. “Sou amigo da filha dela, a Preta, e acabou que eu virei amigo da Carmen também. Foi a primeira vez que eu vi uma sessão do CineB e gostei da ideia. Eu já tinha assistido o filme no cinema, e quando eu vi que teria uma exibição aqui achei interessante, porque mostra a história do que aconteceu no prédio e as pessoas precisam conhecer o que acontece no país”, completa.

O CineB é um circuito alternativo de exibição que, desde 2007, leva cinema brasileiro para várias regiões da cidade. O projeto, já contabiliza um público superior a 60 mil pessoas em mais de 480 sessões gratuitas em comunidades, escolas e universidades de São Paulo. Já foram exibidos na tela do CINEB mais de 116 longas metragens e 73 curtas metragens.

CineB Na UniSant’Anna

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One comment

  1. Desde já, quero agradecer a todos vocês que organiza esse maravilhoso projeto. É de suma importância que se tenha projetos semelhantes a este, pois ajuda a levar informações do cotidiano para aqueles que são carentes de informação.
    O filme exibido no auditório da faculdade unisanta’nna foi muito bem executado, no entanto ajudou a compreensão do que realmente acontece neste movimentos que luta em pró da moradia.

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