Irmã Dulce no Jardim Ângela

O CineB Solar exibiu, na última segunda-feira, 28/10, o longa-metragem “Irmã Dulce”, de Vicente Amorim, no salão da Paróquia Santos Mártires, localizado no Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo.

Padre Eduardo (esquerda) e integrantes da comunidade na recepção do público

“Santa irmã Dulce: para nós é muito importante porque ela é mulher, é brasileira, a primeira brasileira e mulher canonizada. Para quem não entende, é o reconhecimento, pela Igreja, como uma pessoa extraordinária, que fez um trabalho profético na vida”. Assim começou o depoimento do padre Eduardo J. Macgettrick, que atua na Paróquia Santos Mártires, localizada no Jardim Ângela, Zona Sul de São Paulo, durante a sessão que o CineB Solar organizou na última segunda-feira, 28/10/2019, no salão paroquial.

O longa-metragem dirigido por Vicente Amorim estreou no CineB em 2016 e apresenta a trajetória de vida de Irmã Dulce da década de 1940 aos anos 1980. Mostra como a religiosa católica enfrentou uma doença respiratória incurável, o machismo, a indiferença de políticos e até mesmo os dogmas da Igreja para dedicar sua vida a cuidar dos miseráveis, deixando um legado que perdura até hoje, e a fez se tornar a primeira santa brasileira, num ato de canonização realizado no Vaticano último dia 13 de outubro.

Doni Araújo, da Cia de Arte Decálogo Jalc e Cidálio Vieira, coordenador do CineB Solar na abertura da sessão

A sessão foi uma homenagem do CineB Solar à irmã Dulce e uma forma de retornar à região do Jardim Ângela, onde a comunidade paroquial tem um importante trabalho liderado pelo padre Jaime Crowe, que estava em recuperação de uma cirurgia no dia da sessão. Mesmo sendo segunda-feira, o salão paroquial lotou e a imensa maioria do público ainda não havia assistido ao filme. Para Margarida Menezes, educadora do Movimento de Alfabetização (Mova) da paróquia, que levou seus alunos para a sessão, “é importante conhecer a história dessa guerreira. A maioria dos nossos alunos são nordestinos, da Bahia, de onde vêm esta história. É importante que eles a conheçam e saibam dessa realidade”, destaca.

Para Doni Araújo, coordenador da Companhia de Artes Decálogo Jalc e articulador cultural, o Jardim Ângela precisa de projetos como o CineB Solar, porque “para ir até uma sala de cinema, leva-se 40, 50 minutos. Então trazer o cinema para perto da comunidade garante esse fundamental direito à cultura e o acesso a esse tipo de arte”, lembra. Araújo explicou que até recentemente, a comunidade contava com os trabalhos de irmã Philips, que atuava junto às pessoas com deficiência e conviveu com irmã Dulce.

O público participou de um debate após a exibição do filme

O público que compareceu, aprovou o longa-metragem. Ana Paula Barbosa, ajudante de cozinha, conta que foi à sessão a convite da professora, porque é estudante do Mova. “Achei muito interessante porque a gente tem que assistir e fazer a mesma coisa. Não é só ver o que a irmã Dulce fez ali”, destacou. Para José Marcolino dos Santos, atualmente desempregado, o CineB Solar tem um grande valor: “é a única oportunidade que a gente pobre tem de ver filmes de graça, com uma pipoquinha gratuita. Parabéns para o Sindicato dos Bancários, muito obrigado pela oportunidade que vocês nos oferecem”, finaliza.

SOBRE O CINEB SOLAR
O CineB Solar é um circuito itinerante de cinema realizado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e pela Brazucah Produções. Desde 2007, o já atingiu um público superior a 66 mil espectadores em mais de 550 sessões gratuitas realizadas em comunidades e universidades de São Paulo. A iniciativa busca democratizar o acesso ao cinema nacional e divulgar os filmes produzidos no Brasil. Já foram exibidos na tela do CINEB mais de 130 longas-metragens e 80 curtas-metragens, além da realização de pré-estreias exclusivas.

CineB Solar No Jardim Ângela

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One comment

  1. Super amei o filme e continuando achando fantástica a forma como o CINEB Solar vem desenvolvendo todo esse trabalho com o cinema brasileiro.

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